A criação prova a existência de Deus?
Paulo faz uma afirmação forte e delimitada, e as duas coisas importam.
Novo Testamento · livro 45 de 66
14 passagens difíceis explicadas em Romanos, espalhadas por 10 capítulos.
Paulo faz uma afirmação forte e delimitada, e as duas coisas importam.
É o texto mais citado do Novo Testamento nesta discussão, e há dois dados sobre ele que quase nunca aparecem quando é citado.
A expressão grega πίστις Χριστοῦ, pistis Christou, aparece três vezes neste trecho, e a gramática grega, por si só, não decide o que ela significa. É possível traduzi-la, como quase toda versão em português faz, por "fé em Cristo" — a fé que o crente deposita nele. E é possível traduzi-la, como parte da exegese acadêmica das últimas décadas defende, por "a fidelidade de Cristo" — a fidelidade que o próprio Cristo exerceu, sobretudo ao ir até a cruz.
O versículo é frequentemente citado sozinho, e citá-lo sozinho inverte a função dele. Ele termina com ponto e vírgula no grego: a frase continua no versículo 24 — "sendo justificados gratuitamente pela sua graça".
Imputação é termo técnico de origem contábil: creditar algo à conta de alguém. A doutrina da imputação da justiça de Cristo afirma que, na justificação, a justiça perfeita de Cristo é creditada — contada, reconhecida legalmente — à conta do crente que crê, distinta de uma justiça infundida gradualmente dentro dele ao longo do tempo.
A objeção é tão óbvia que Paulo a levanta ele mesmo, na primeira frase do capítulo seguinte: "que diremos pois? permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?".
As traduções em português divergem aqui, e a divergência não é de estilo. Algumas terminam o versículo em "para os que estão em Cristo Jesus"; outras acrescentam "que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito".
O versículo é o centro de uma das discussões mais longas da história cristã, e boa parte dela gira em torno de duas palavras: *proegno*, "conheceu antes", e *proorisen*, "predestinou".
Duas coisas resolvem a maior parte do desconforto, e nenhuma delas resolve o texto inteiro.
A frase é uma das mais discutidas do Novo Testamento, e a discussão gira em torno de duas palavras: "todo" e "Israel".
A imagem soa vingativa em português, e o contexto exclui essa leitura. O versículo seguinte diz: "não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem".
O texto é real e foi usado para justificar submissão a regimes brutais — incluindo, documentadamente, na Alemanha nazista e em ditaduras latino-americanas.
No meio de uma lista de saudações que fecha a carta aos Romanos, Paulo escreve: "Saudai Andrônico e Júnia, meus parentes, e meus companheiros na prisão, que são notáveis entre os apóstolos, e também estavam antes de mim em Cristo".
A ordem soa estranha ao leitor moderno: "saudai-vos uns aos outros com beijo santo." Não é instrução isolada — Paulo a repete, quase nas mesmas palavras, no fechamento de pelo menos cinco cartas do Novo Testamento, sinal de que já era prática litúrgica estabelecida na igreja primitiva.