Pedro
quem foi o apóstolo pedro
Ficha do personagem
Século I, contemporâneo de Jesus e primeira geração da igreja
Relações
- irmão André
- repreendido por Paulo
Resposta curta
Pedro é o discípulo com mais falas registradas nos evangelhos e o retratado com mais franqueza. Chamava-se Simão; recebeu de Jesus o nome aramaico Cefas, pedra, que em grego virou Πέτρος, Pedro.
registra a cena do nome: sobre esta pedra edificarei a minha igreja. É um dos versos mais disputados do Novo Testamento, e a disputa não é sobre o que ele diz, mas sobre a que "esta pedra" se refere — ao próprio Pedro, à confissão que ele acabara de fazer, ou a Cristo.
Onde ele aparece
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textoregistra três perguntas sobre amor, uma para cada negação, e a incumbência de apascentar. É um dos poucos episódios de restauração explícita do Novo Testamento, e dá ao personagem um arco completo.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Pedro, cujo nome era Simão, recebeu de Jesus o apelido de "pedra". Foi o primeiro a confessar que Jesus é o Cristo e o mesmo que o negou três vezes. Em Atos é a figura central dos primeiros capítulos, e a visão de é decisiva na abertura da comunidade aos não judeus.
O mundo dele
O retrato dos evangelhos é consistentemente ambivalente. Pedro é o primeiro a confessar que Jesus é o Cristo, em , e poucos versos depois é repreendido com as palavras mais duras dirigidas a um discípulo. Anda sobre a água e afunda. Promete não negar e nega três vezes na mesma noite. Corta a orelha de um servo. Adormece no Getsêmani.
Depois da ressurreição, registra a cena de restauração: três perguntas sobre amor, uma para cada negação, e a incumbência de apascentar. É um dos poucos episódios de reabilitação explícita no Novo Testamento.
Em Atos ele é a figura central dos primeiros capítulos. Prega em Pentecostes, é preso, comparece diante do sinédrio. narra a visão que o leva à casa de Cornélio, episódio decisivo na abertura da comunidade a não judeus — e o texto registra a resistência dele antes da aceitação.
traz um dado que costuma surpreender: Paulo relata ter repreendido Pedro publicamente em Antioquia por se afastar dos gentios diante de certos visitantes. O incidente é narrado sem atenuantes por quem o repreendeu.
Duas cartas do Novo Testamento levam seu nome, e a autoria da segunda é discutida entre estudiosos há muito tempo.
A história
A discussão sobre vale ser apresentada com clareza, porque é uma das divergências mais consequentes entre tradições cristãs.
A leitura católica entende que "esta pedra" se refere a Pedro, e vê no verso a base do primado petrino e da sucessão apostólica no bispado de Roma. O jogo de palavras entre o nome e a pedra sustenta essa leitura, e o aramaico, em que a mesma palavra serviria para ambos, é frequentemente invocado.
A leitura protestante clássica costuma entender que a pedra é a confissão feita por Pedro, apoiando-se na diferença entre as palavras gregas usadas — Petros para o nome e petra para a rocha — e no fato de o contexto imediato tratar da confissão.
Uma terceira leitura, também antiga, identifica a pedra com Cristo, apoiando-se em textos como .
As três existem há séculos e cada uma tem argumentos linguísticos e contextuais. Um verbete honesto apresenta as três e diz o que sustenta cada uma, em vez de escolher em silêncio.
Sobre a morte de Pedro: o Novo Testamento não a narra. contém uma alusão a como ele glorificaria a Deus, lida tradicionalmente como referência à crucificação. A tradição da crucificação de cabeça para baixo e do martírio em Roma vem de fontes posteriores ao cânon.
O que costumam dizer errado2
Dizem que:Pedro era o líder incontestado dos apóstolos desde o início.
Os textos o mostram com proeminência e também sendo repreendido — por Jesus em e por Paulo em . A natureza de sua posição é justamente o que as tradições discutem.
Dizem que:O Novo Testamento narra o martírio de Pedro em Roma.
Não narra. traz uma alusão lida tradicionalmente como referência à crucificação, mas os detalhes do martírio e o lugar vêm de fontes posteriores ao cânon.
Como diferentes tradições cristãs leem3
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Leitura católica
Entende que a pedra de é o próprio Pedro, e vê no verso a base do primado petrino, apoiando-se no jogo de palavras e no aramaico subjacente.
Leitura protestante clássica
Entende que a pedra é a confissão feita por Pedro, apoiando-se na diferença entre as palavras gregas e no contexto imediato do diálogo.
Leitura cristológica
Identifica a pedra com Cristo, apoiando-se em textos como . É também antiga.
O que fazer com isso
Ao ler , note que a confissão e a repreensão estão a poucos versos de distância, no mesmo diálogo. O texto coloca as duas juntas, e o retrato que ele constrói depende disso.
Passagens relacionadas6
Fontes consultadas2
- Joseph Henry Thayer. A Greek-English Lexicon of the New Testament, 1889.
- James Strong. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Por que Jesus mudou o nome de Simão?
Deu-lhe o nome aramaico Cefas, que significa pedra, e que em grego virou Petros. A cena está em e em , e o novo nome funciona como designação de função.
Sobre quem é a pedra de Mateus 16:18?
Há três leituras antigas: o próprio Pedro, a confissão que ele fez, e Cristo. Cada uma tem argumentos linguísticos e contextuais, e a divergência é uma das mais consequentes entre tradições cristãs.
Pedro escreveu as duas cartas que levam seu nome?
A autoria da primeira é amplamente aceita; a da segunda é discutida entre estudiosos há muito tempo, por razões de estilo e de circulação do texto.