Esdras mandou despedir as esposas e os filhos
É um dos textos mais duros do Antigo Testamento, e a dureza está nos detalhes que se costuma pular: o pacto proposto inclui despedir as mulheres e também os filhos nascidos delas.

Há textos na Bíblia que geram desconforto real, e fingir que não geram não ajuda ninguém. Aqui o contexto histórico é apresentado sem virar desculpa, e o que continua difícil é dito como difícil.
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É um dos textos mais duros do Antigo Testamento, e a dureza está nos detalhes que se costuma pular: o pacto proposto inclui despedir as mulheres e também os filhos nascidos delas.
Enquanto o povo reconstruía os muros de Jerusalém, uma crise interna quase parou a obra: famílias judias, pressionadas pela fome e pelo tributo do império persa, tomavam empréstimos de outros judeus mais ricos, entre eles nobres e oficiais, e davam em penhor campos, vinhas e casas. Quando a fome apertou ainda mais, famílias chegaram a entregar os próprios filhos como escravos para pagar dívidas — o que a lei de Moisés já condenava entre irmãos de aliança.
Neemias 13:1-3 descreve um momento de leitura pública da lei durante a reforma que Neemias promove ao voltar a Jerusalém. O povo ouve um trecho de Deuteronômio 23 e redescobre que amonitas e moabitas não podiam entrar na "congregação de Deus" — a assembleia de adoração de Israel. O motivo dado não é etnia, mas um episódio histórico: esses povos negaram pão e água a Israel no deserto e contrataram Balaão para os amaldiçoar.
Ao retornar a Jerusalém depois de um período na corte persa, Neemias encontra o sábado sendo violado: judeus carregando mercadorias e comerciantes de Tiro vendendo peixe dentro dos muros, no mesmo dia que a lei de Moisés reservava ao descanso. A prática contradizia o pacto que o povo havia assinado por escrito pouco antes, comprometendo-se a não comprar nem vender no sábado.
Neemias, governador de Jerusalém depois do exílio, volta de uma temporada na corte persa e encontra um problema que já parecia resolvido: judeus casados com mulheres de Asdode, Amom e Moabe, povos vizinhos historicamente ligados à idolatria. Os filhos desses casamentos nem sequer falavam hebraico — só a língua das mães. Neemias reage com dureza: repreende os homens, os amaldiçoa, espanca alguns, arranca-lhes os cabelos e os faz jurar que não repetirão a prática.
Depois que a rainha Vasti foi destituída, o rei Assuero mandou reunir moças virgens de todo o império em Susa para escolher a nova rainha. Ester 2:12-14 descreve o processo: doze meses de preparação — seis com óleo de mirra, seis com especiarias — antes de cada moça passar uma única noite com o rei. Na manhã seguinte ela ia para a segunda casa das mulheres, sob o eunuco Saasgaz, e só voltaria se o rei a chamasse pelo nome.
Depois que o rei Assuero autorizou os judeus a se defenderem do decreto de extermínio arquitetado por Hamã, chegou o dia marcado para o confronto. Na fortaleza de Susã os judeus mataram quinhentos homens e os dez filhos de Hamã, mas por três vezes o texto registra que não tocaram no despojo dos mortos. Informado do resultado, o rei perguntou a Ester o que mais ela desejava, e ela pediu mais um dia de combate em Susã e que os corpos dos dez filhos de Hamã fossem pendurados em exposição pública.
O salmo é um lamento escrito por sobreviventes do exílio, e o versículo final é uma imprecação — um clamor por justiça dirigido a Deus, não uma instrução de conduta.
O versículo é real e é duro, e a discussão cristã sobre ele é legítima e antiga. Três coisas ajudam a conduzi-la sem distorcer o texto.
Há um versículo em que a Bíblia lista, com todas as letras, "a maldade de tua irmã Sodoma" — e ele está em Ezequiel, não em Gênesis. A lista é: soberba, fartura de pão, abundância de conforto, e nunca ter socorrido o pobre e o necessitado.
Mandou, e o texto dá o motivo na mesma frase: "assim como o SENHOR ama os filhos de Israel, que dão atenção a outros deuses".
As festas, os holocaustos e as ofertas que o texto rejeita são exatamente os que o Levítico prescreve. Não são cultos estrangeiros nem invenções do povo.