A parábola da figueira termina sem dizer o que aconteceu
A parábola não tem desfecho. O vinhateiro pede mais um ano, propõe cavar e adubar, e o texto termina ali — sem informar se o dono aceitou, e sem dizer se a figueira deu fruto.

Parábolas não são fábulas com moral simples nem alegorias em que cada elemento representa alguma coisa. Elas costumam ter um golpe único, e quase sempre desconfortável, que a leitura devocional apressada suaviza.
38 explicações publicadas · página 3 de 3
A parábola não tem desfecho. O vinhateiro pede mais um ano, propõe cavar e adubar, e o texto termina ali — sem informar se o dono aceitou, e sem dizer se a figueira deu fruto.
Três palavras desta parábola tiveram consequência histórica maior que a de quase qualquer outra frase dos evangelhos: força-os a entrar.
As duas parábolas são lidas quase sempre como conselho de planejamento: calcule antes de começar. Mas a segunda não termina em vitória — termina em rendição.
A objeção pastoril é razoável: abandonar noventa e nove animais no deserto para procurar um é péssima administração de rebanho, e qualquer pastor sabe disso.
Das três parábolas de Lucas 15, esta é a menos pregada, e a razão costuma ser que ela parece repetir a anterior com outro objeto.
Um homem idoso e respeitável no Oriente Próximo não corria. Correr exigia levantar a túnica, expor as pernas e perder a dignidade em público.
É considerada a parábola mais difícil dos Evangelhos, e a dificuldade é real: um administrador prestes a ser demitido falsifica as contas dos devedores do patrão para garantir abrigo depois — e é elogiado.
A discussão sobre o gênero é antiga e importa: se for parábola, os detalhes servem à história; se for relato, descrevem o além.
A parábola é uma das mais desconfortáveis dos evangelhos, e o desconforto é intencional. Depois de fazer tudo o que foi mandado, a instrução é dizer: somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer.
O verbo que o juiz usa para descrever o que a viúva está fazendo com ele é de boxe. Significa golpear abaixo do olho — deixar o olho roxo.
A parábola é frequentemente lida como um elogio à humildade — seja humilde e Deus te aceita. Isso transforma a humildade numa nova qualificação, que é exatamente o que a história desmonta.
A moldura da parábola não é invenção. Um nobre viaja a um país distante para receber um reino, e seus concidadãos mandam atrás dele uma embaixada dizendo que não querem que ele reine.
A palavra grega traduzida por bom não é a comum. Ela significa belo, nobre, exemplar — a qualidade que se reconhece à vista, e não apenas a retidão moral.
A palavra decisiva do trecho está no versículo 2, e ela é ambígua: o verbo grego pode significar tirar, remover — ou levantar, erguer.