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Significado Bíblico
Fora da BíbliaFonte históricaintermediária

Flávio Josefo

quem foi flávio josefo?

Ficha do documento

Data provável
Antiguidades Judaicas: c. 93-94 d.C. (Josefo viveu c. 37-100 d.C.)
Língua
grego
Autoria atribuída
Tito Flávio Josefo, sacerdote judeu, general na Guerra de 66-73 d.C., depois historiador em Roma sob patrocínio da dinastia Flávia.
Onde se preserva
Manuscritos gregos, o mais antigo do século XI (Codex Ambrosianus F 128); citações em autores cristãos anteriores, a mais antiga em Eusébio de Cesareia, início do século IV.

A erudição, no entanto, sustenta: Mesma autoria — Josefo é autor reconhecido, sem disputa de pseudonímia; a única controvérsia é sobre interpolações pontuais de copistas posteriores em passagens específicas, não sobre a autoria da obra.

Status por tradição

Tradição judaicaFora do cânon
Igreja CatólicaFora do cânon
Igreja OrtodoxaFora do cânon
Ortodoxa EtíopeFora do cânon
Tradições protestantesFora do cânon

Resposta curta

Flávio Josefo (c. 37-100 d.C.) foi um sacerdote judeu de família nobre que comandou tropas judias contra Roma na Guerra de 66-73 d.C., se rendeu, previu corretamente que o general romano Vespasiano se tornaria imperador, e passou o resto da vida em Roma como historiador sob patrocínio da corte imperial. Sua obra mais extensa, Antiguidades Judaicas (20 livros, c. 93-94 d.C.), é a única história narrativa que sobrevive cobrindo o judaísmo do século I, e por isso é citada com frequência em qualquer explicação que precise do pano de fundo histórico e político por trás de um texto bíblico.

Passagens bíblicas relacionadas

Em palavras simples

Flávio Josefo foi um general judeu que se rendeu aos romanos, previu que um deles seria imperador, e depois escreveu a história mais completa que sobrou sobre o judaísmo do século I. Sua obra Antiguidades Judaicas menciona Jesus duas vezes e é citada com frequência quando se explica o contexto histórico por trás da Bíblia.

O que o documento conta

Nascido Josefe ben Matatias, de família sacerdotal que reivindicava descendência da linhagem real hasmoneia por parte de mãe, Josefo era um jovem letrado em Jerusalém quando a revolta contra Roma começou, em 66 d.C. Foi nomeado comandante das forças judaicas na Galileia — cargo que ele próprio, décadas depois, descreveria de forma bem mais favorável a si mesmo do que testemunhas contemporâneas confirmariam, incluindo relatos de rivais judeus que o acusaram de covardia e de negociar com o inimigo antes mesmo da rendição final.

Cercado pelos romanos na fortaleza de Jotapata em 67 d.C., sobreviveu a um pacto de suicídio coletivo com o restante de seu grupo — por sorte ou manipulação da ordem dos últimos a morrer, segundo críticos antigos — e se rendeu. Levado à presença do general romano Vespasiano, profetizou que ele se tornaria imperador, o que de fato aconteceu dois anos depois, em 69 d.C., quando as legiões do Oriente o aclamaram. Libertado e adotado sob o patrocínio da dinastia Flávia, tomou o nome romano de Tito Flávio Josefo e passou o resto da vida em Roma, onde escreveu suas quatro obras: A Guerra dos Judeus (c. 75 d.C., sobre a revolta que ele mesmo viveu, dos dois lados), Antiguidades Judaicas (c. 93-94 d.C., 20 livros, da Criação até véspera da guerra), Contra Ápio (defesa apologética do judaísmo contra críticos gregos) e sua autobiografia, escrita já perto do fim da vida para responder a acusações de um rival. Para historiadores, é ao mesmo tempo fonte insubstituível e testemunha interessada: colaborador dos romanos escrevendo sob patrocínio imperial sobre um povo que o via, com razão, como traidor.

Aprofundamento

Antiguidades Judaicas é a obra que mais interessa a quem lê a Bíblia, porque cobre o mesmo período histórico do Antigo e do Novo Testamento a partir de fora do cânon: reis, sumos sacerdotes, procuradores romanos, e o contexto político que os quatro evangelhos, em geral, dão por conhecido. É de Josefo, por exemplo, que vem boa parte do que se sabe sobre Herodes, o sistema dos sumos sacerdotes no século I, e a administração romana da Judeia sob Pôncio Pilatos.

O livro 18 contém a passagem mais discutida de toda a obra: uma menção a Jesus, conhecida como Testimonium Flavianum (Antiguidades 18.3.3), que descreve um "homem sábio", condenado por Pilatos, cujos seguidores continuavam a existir na época em que Josefo escrevia. A maioria dos estudiosos hoje sustenta que há um núcleo autêntico de Josefo nessa passagem, ampliado depois por um copista cristão que inseriu frases como "Ele era o Cristo" — linguagem que um autor judeu do século I, sem nenhuma outra indicação de simpatia cristã em toda a obra, dificilmente teria escrito sem qualificação. A passagem sobrevive só em manuscritos gregos copiados a partir do século XI; a citação mais antiga que se conhece dela é do bispo Eusébio de Cesareia, já no início do século IV.

O livro 20 traz uma segunda menção, bem menos discutida: a execução de "Tiago, irmão de Jesus, chamado Cristo", ordenada pelo sumo sacerdote Ananias no ano 62 d.C. Por não carregar nenhum elogio cristão e mencionar "Cristo" apenas como apelido pelo qual esse Jesus era conhecido — recurso que Josefo usa em toda a obra para diferenciar homônimos, já que "Jesus" e "Tiago" eram nomes comuns entre judeus do século I —, essa passagem é aceita como autêntica até por historiadores céticos quanto ao Testimonium, incluindo especialistas sem nenhum interesse teológico em defender a confiabilidade do texto.

O que costumam dizer errado1 afirmação
  • Dizem que:Josefo era cristão e escreveu como um crente sobre Jesus.

    Josefo permaneceu judeu praticante a vida toda. A maioria dos estudiosos sustenta que as frases mais "cristãs" do Testimonium Flavianum (18.3.3), como "Ele era o Cristo", foram inseridas depois por um copista, e não escritas por ele.

Como diferentes tradições leem2 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Consenso histórico-crítico majoritário

    Sustenta que o Testimonium Flavianum (18.3.3) tem um núcleo autêntico de Josefo, ampliado por interpolação cristã em algumas frases específicas; já a menção a Tiago (20.9.1) é aceita como integralmente autêntica.

  • Posição cética minoritária

    Sustenta que todo o Testimonium Flavianum é interpolação cristã posterior, sem nenhum núcleo de Josefo — posição hoje minoritária entre especialistas, mas presente no debate acadêmico.

O que fazer com isso

Ao ler uma explicação bíblica que cita Josefo — sobre Herodes, Pilatos, os sumos sacerdotes ou o contexto político de um Evangelho —, vale lembrar que a fonte é um historiador do século I, com acesso real aos fatos, mas também com um ponto de vista próprio a defender diante de Roma.

Fontes consultadas3 obras
  • John P. Meier. A Marginal Jew: Rethinking the Historical Jesus, vol. 1, 1991.
  • Louis H. Feldman. Josephus and Modern Scholarship.
  • Flávio Josefo (trad. William Whiston). Antiquities of the Jews, 1737.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Josefo era romano ou judeu?

Nasceu judeu, de família sacerdotal, e continuou praticando o judaísmo mesmo depois de se tornar cidadão romano sob patrocínio da dinastia Flávia — daí o nome Tito Flávio Josefo.

Josefo escreveu mesmo sobre Jesus?

Sim, duas vezes, em Antiguidades Judaicas: o Testimonium Flavianum (18.3.3), com autenticidade parcial debatida, e a menção mais curta e menos discutida a "Tiago, irmão de Jesus, chamado Cristo" (20.9.1).

Antiguidades Judaicas está na Bíblia ou é parte dela?

Não, nunca foi considerada Escritura por nenhuma tradição — é obra de história, não de fé, escrita décadas depois do Novo Testamento.

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Publicado em 19/08/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 3 obras citadas, com autor e ano
  • 1 afirmação popular checada e refutadas
  • 2 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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