
A nova Jerusalém é um cubo de dois mil quilômetros?
As medidas de Apocalipse 21 são literais?
E a cidade estava posta na forma de um quadrado; e o seu comprimento era tanto quanto sua largura. E ele mediu a cidade com a cana até doze mil estádios; e seu comprimento, largura e altura eram iguais.
Resposta curta
Doze mil estádios equivalem a cerca de dois mil e duzentos quilômetros, e o texto diz que comprimento, largura e altura são iguais. Uma cidade cúbica dessa escala ultrapassaria a atmosfera terrestre.
Duas observações apontam para leitura simbólica. A primeira: doze mil é doze ao quadrado vezes mil, e doze é o número das tribos e dos apóstolos no livro inteiro. A segunda: a muralha mede cento e quarenta e quatro côvados — doze vezes doze —, o que é absurdamente baixo para uma cidade dessa altura.
O texto está construindo aritmética, não planta baixa.
Como isso aponta para Jesus
Cumprimento diretoA cidade tem forma de cubo perfeito, como o Santo dos Santos de — e não tem templo, "porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro". João já havia registrado Jesus dizendo "destruí este templo, e em três dias o levantarei", falando do próprio corpo. A trajetória vai do lugar da presença à pessoa, e daí à cidade inteira.
Respaldo no Novo Testamento: ; ;
Em palavras simples
As medidas dessa cidade são gigantescas: mais de dois mil quilômetros de comprimento, largura e altura — um cubo enorme. Lida ao pé da letra, essa cidade ultrapassaria a atmosfera da Terra, e a muralha ao redor teria só uns sessenta metros, o que não protegeria nada nessa escala. Isso sugere que os números não são planta de arquitetura, e sim um jeito de dizer 'perfeição completa' — o número doze, ligado às tribos e aos apóstolos, se repete multiplicado o tempo todo.
A forma de cubo lembra o cômodo mais sagrado do templo antigo, onde Deus se fazia presente. E essa cidade não tem templo, porque Deus mesmo é o templo dela. Também não tem mais noite, morte, nem choro: o lugar onde Deus mora finalmente é onde as pessoas moram.
Contexto histórico
A visão da nova Jerusalém fecha o livro, e ela é o contraponto exato da Babilônia dos capítulos 17 e 18.
As duas são mulheres — uma prostituta, outra noiva. As duas são cidades. Uma cai entre lamentos de mercadores; a outra desce do céu.
O capítulo é saturado de doze. Doze portas, doze anjos, os nomes das doze tribos, doze fundamentos, os nomes dos doze apóstolos, doze mil estádios, cento e quarenta e quatro côvados, doze pedras preciosas, doze pérolas, doze frutos da árvore da vida.
A distribuição das portas — três em cada lado — reproduz o acampamento de Israel em e a cidade de .
E a forma cúbica tem um precedente único: o Santo dos Santos, em , era um cubo perfeito de vinte côvados.
Aprofundamento
A leitura simbólica se apoia em três dados convergentes.
O primeiro é a aritmética. Doze mil é doze ao quadrado vezes mil, e cento e quarenta e quatro é doze ao quadrado. Os números não são medidas plausíveis; são operações sobre o número doze.
O segundo é a forma. O cubo perfeito reproduz o Santo dos Santos — e o capítulo diz que na cidade "não vi nela templo, porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro". A cidade inteira é o lugar da presença.
O terceiro é o material. A cidade é de ouro puro "semelhante a vidro transparente" — ouro que se vê através. É descrição de algo que não corresponde a nenhum material, e o texto não tenta explicar.
A leitura literal argumenta que o texto usa unidades concretas e que Deus poderia fazer uma cidade assim. É posição minoritária entre comentaristas.
Uma terceira posição entende que a visão descreve algo real cuja natureza escapa à linguagem, e que os números comunicam qualidade em vez de dimensão — perfeição, completude, capacidade suficiente.
Sobre a muralha de cento e quarenta e quatro côvados, cerca de sessenta e cinco metros, é o dado que mais dificulta a leitura literal. Uma muralha de sessenta metros em torno de uma cidade de dois mil quilômetros de altura não protege nada e não faz sentido arquitetônico.
O texto acrescenta ainda que "as suas portas não se fecharão de dia, porque ali não haverá noite". Uma muralha com portas permanentemente abertas não é defesa — é delimitação.
O que costumam dizer errado3 afirmações
Dizem que:As medidas são plantas arquitetônicas.
Doze mil é doze ao quadrado vezes mil, e a muralha mede doze vezes doze côvados. Uma muralha de sessenta metros em torno de uma cidade de dois mil quilômetros de altura não faz sentido arquitetônico.
Dizem que:Quem lê os números como símbolos está negando o texto.
O livro usa números simbolicamente do começo ao fim — sete igrejas, sete selos, sete taças, cento e quarenta e quatro mil. Ler o capítulo 21 do mesmo modo é coerência, não relativização.
Dizem que:A cidade é o céu.
O texto a descreve descendo do céu para a terra, e o versículo 3 diz que "o tabernáculo de Deus está com os homens". O movimento é de descida, e não de subida.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Leitura simbólica
Os números são operações sobre doze e comunicam perfeição e completude. Sustentada pela aritmética, pela forma cúbica e pela muralha desproporcional. É a leitura majoritária.
Leitura literal
As unidades são concretas e a cidade terá essas dimensões. Minoritária entre comentaristas; enfrenta a muralha e a escala.
Realidade além da linguagem
A visão descreve algo real cuja natureza a linguagem não alcança, e os números comunicam qualidade. Posição intermediária, comum entre comentaristas.
No original3 termos
στάδιονstadion
Medida grega de cerca de cento e oitenta e cinco metros. Doze mil equivalem a aproximadamente dois mil e duzentos quilômetros.
τετράγωνοςtetragonos
"Quadrangular". Com as três dimensões iguais, descreve um cubo — a forma do Santo dos Santos em .
δώδεκαdodeka
"Doze". O número que estrutura o capítulo — tribos, apóstolos, portas, fundamentos, frutos —, e do qual derivam 144 e 12.000.
O que fazer com isso
O detalhe mais comentado do capítulo é o que a cidade não tem.
Não tem templo, porque Deus e o Cordeiro são o templo. Não tem sol nem lua, porque a glória de Deus a ilumina. Não tem noite. Não tem morte, nem pranto, nem clamor, nem dor.
E as portas não se fecham.
A descrição por ausências é característica do capítulo, e ela comunica algo que uma lista de presenças não comunicaria: o que estruturava a vida religiosa — templo, separação, ciclos de dia e noite — deixa de ser necessário.
A frase que resume está no versículo 3: "eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, e habitará com eles". É a promessa que atravessa a Bíblia inteira, do tabernáculo do deserto até aqui.
Passagens relacionadas6
Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.
Fontes consultadas3 obras
- Matthew Henry. Commentary on the Whole Bible, 1710.
- Henry Alford. The Greek Testament, 1863.
- Albert Barnes. Notes on the Bible, 1834.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Por que a cidade tem forma de cubo?
O único precedente bíblico é o Santo dos Santos, um cubo perfeito de vinte côvados. A cidade inteira assume a forma do lugar da presença — e o texto diz que ela não tem templo.
O que significa a muralha de 144 côvados?
São doze vezes doze, e cerca de sessenta e cinco metros. É desproporcional a uma cidade de dois mil quilômetros de altura, e é o dado que mais dificulta a leitura literal.
A cidade é a igreja ou um lugar?
O texto a apresenta como noiva do Cordeiro e como cidade que desce. As leituras variam entre lugar real, o povo de Deus, e as duas coisas — e o capítulo mistura as imagens de propósito.
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