
Quem é a grande Babilônia de Apocalipse 17?
A prostituta de Apocalipse representa uma cidade ou um sistema?
E na testa dela estava escrito um nome: “Mistério: A grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra”.
Resposta curta
O próprio capítulo dá duas pistas fortes. O versículo 9 diz que as sete cabeças "são sete montes, sobre os quais a mulher está assentada". O versículo 18 diz que a mulher "é a grande cidade que reina sobre os reis da terra".
Roma era conhecida como a cidade das sete colinas, e era a única que reinava sobre os reis da terra no primeiro século.
E traz uma saudação enviada "da igreja que está em Babilônia" — que a maioria dos comentaristas entende como Roma, em linguagem cifrada.
Como isso aponta para Jesus
ContrasteO livro constrói duas mulheres em oposição: a prostituta vestida de púrpura, embriagada de sangue, e a noiva vestida de linho fino branco e puro, que é "a justiça dos santos". As duas aparecem a poucos capítulos de distância, e o contraste é deliberado. Uma cai entre lamentos de mercadores; a outra é apresentada nas bodas do Cordeiro.
Respaldo no Novo Testamento: ; ;
Em palavras simples
O texto dá duas pistas fortes sobre quem é essa 'Babilônia': ela está sentada sobre sete montes, e é a cidade que manda sobre os reis da terra. No primeiro século, isso descrevia Roma — conhecida como a cidade das sete colinas. Usar o nome 'Babilônia' para outro império já era um código comum entre os judeus, porque a Babilônia histórica tinha destruído o templo tempos atrás.
Outras leituras enxergam ali não só Roma, mas qualquer sistema que junte poder, luxo e perseguição a quem crê — um padrão que se repete na história. O capítulo seguinte mostra o que mais incomoda nessa figura: uma lista enorme de mercadorias de luxo, terminando em pessoas escravizadas. E o convite do texto não é destruir esse sistema, mas não fazer parte dele: 'saia dela, meu povo'.
Contexto histórico
Babilônia era, no vocabulário judaico, o símbolo do império que destruiu o templo e levou o povo cativo.
Usar o nome para outra potência era recurso conhecido. Textos judaicos do período, como o quarto livro de Esdras e o Apocalipse de Baruque, chamam Roma de Babilônia pela mesma razão.
O capítulo 17 descreve a figura com detalhe: vestida de púrpura e escarlata, ornada de ouro e pedras, com um cálice na mão, embriagada do sangue dos santos.
Púrpura e escarlata eram as cores da elite romana. O cálice remete a , sobre a Babilônia histórica.
O capítulo 18 é uma lamentação sobre a queda, e a lista de mercadorias que ninguém mais compra é a descrição mais detalhada de comércio de luxo em toda a Bíblia — terminando com "e corpos e almas de homens".
Aprofundamento
As leituras se organizam em três grupos, e todas reconhecem a referência romana em algum nível.
A primeira entende Roma imperial, no primeiro século. Argumentos: as sete colinas, a cidade que reina sobre os reis, a perseguição aos santos, e a lista de comércio que corresponde ao que chegava a Roma. É a leitura preterista, e a mais direta historicamente.
A segunda entende Roma como primeiro exemplo de um padrão que se repete: qualquer sistema que combine poder político, riqueza e perseguição religiosa. Leitura idealista, e a que explica por que o livro usa um nome antigo para uma potência contemporânea — o padrão já tinha nome.
A terceira entende uma potência futura ainda por surgir. Leitura futurista, comum em círculos dispensacionalistas.
Historicamente, houve também a identificação com a Igreja de Roma, sustentada por reformadores do século XVI e mantida em confissões protestantes por séculos. É polêmica confessional, e vale registrá-la como parte da história da interpretação sem tratá-la como consenso — a maioria dos comentaristas protestantes atuais não a sustenta.
O capítulo 18 é o que mais ilumina o conteúdo da acusação. A lista de mercadorias vai de ouro e pedras preciosas a especiarias e trigo, e termina com "corpos e almas de homens" — escravos.
O luto descrito não é dos oprimidos. São os reis, os mercadores e os pilotos de navio que choram, e o motivo declarado é comercial: "ninguém mais compra as suas mercadorias".
É um retrato de sistema econômico, e o veredito do capítulo 18:24 é sobre sangue: "nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra".
O que costumam dizer errado3 afirmações
Dizem que:O texto não dá nenhuma pista sobre a identidade.
Dá duas: as sete cabeças são sete montes onde a mulher está assentada, e ela é "a grande cidade que reina sobre os reis da terra". Roma era conhecida pelas sete colinas.
Dizem que:"Babilônia" só pode significar a cidade histórica.
A Babilônia histórica já estava em ruínas quando Apocalipse foi escrito. Textos judaicos do período usam o nome para Roma, e provavelmente faz o mesmo.
Dizem que:A acusação é apenas religiosa.
O capítulo 18 é dominado por comércio, e a lista de mercadorias termina em "corpos e almas de homens". O luto descrito é de reis, mercadores e navegantes, e o motivo é perda de negócio.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Roma imperial
As sete colinas, o domínio sobre reis, a perseguição e o comércio correspondem. Leitura preterista, e a mais direta historicamente.
Padrão recorrente
Roma é o exemplo de um tipo — poder, riqueza e sangue combinados. Leitura idealista; explica por que um nome antigo é usado para uma potência contemporânea.
Potência futura
Um sistema ainda por surgir. Leitura futurista, comum em círculos dispensacionalistas.
No original3 termos
ΒαβυλώνBabylon
"Babilônia". No vocabulário judaico, símbolo do império que destruiu o templo. Usado para Roma em textos judaicos do primeiro século.
μυστήριονmysterion
"Mistério". No título inscrito na testa, sinaliza que o nome é cifrado e pede decifração.
πορνείαporneia
"Prostituição". Nos profetas, imagem padrão para infidelidade religiosa e para alianças políticas comprometedoras.
O que fazer com isso
A instrução prática do capítulo 18 é a mais concreta do bloco: "sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados".
O verbo é de saída, e a razão dada é participação. Não se trata de derrubar o sistema, e sim de não pertencer a ele.
O que o texto descreve como pecado da figura combina três coisas: poder político, luxo comercial e sangue de inocentes. E o luto descrito é de quem lucrava.
Esse conjunto é o que faz a leitura de padrão recorrente ser tão adotada. Sistemas com essas três características apareceram muitas vezes, e a instrução — sair — continua legível em cada um deles.
Passagens relacionadas6
Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.
Fontes consultadas3 obras
- Matthew Henry. Commentary on the Whole Bible, 1710.
- Henry Alford. The Greek Testament, 1863.
- Albert Barnes. Notes on the Bible, 1834.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Por que 1 Pedro 5:13 é citado nessa discussão?
Pedro envia saudações "da igreja que está em Babilônia". A Babilônia histórica estava praticamente despovoada, e a maioria dos comentaristas entende a menção como Roma em linguagem cifrada.
A identificação com a Igreja de Roma é sustentável?
Foi defendida por reformadores do século XVI e mantida em confissões por séculos. É parte da história da interpretação, e a maioria dos comentaristas protestantes atuais não a sustenta.
O que a lista de mercadorias mostra?
É a descrição mais detalhada de comércio de luxo na Bíblia, e corresponde ao que chegava a Roma. Termina em "corpos e almas de homens", isto é, tráfico de escravos.
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