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Significado Bíblico
ReiAdversáriointermediária

Salum, rei de Israel

quem foi Salum na Bíblia

Ficha do personagem

reino de Israel, séc. VIII a.C.

Aparece em

Relações

  • filho de Jabes
  • assassinou Zacarias, rei de Israel
  • morto por Menaém

Resposta curta

Salum, filho de Jabes, foi um dos reis mais efêmeros da história de Israel: ocupou o trono em Samaria por apenas um mês, por volta de 752 a.C. Ele chegou ao poder por meio de uma conspiração violenta, assassinando o rei Zacarias em Ibleão. Esse crime encerrou a dinastia de Jeú, que já durava quatro gerações no trono do reino do Norte, e mergulhou Israel numa espiral de golpes que se estenderia até sua queda para a Assíria, décadas depois.

O reinado de Salum terminou da mesma forma que começou: pela força. Menaém, filho de Gadi, subiu de Tirza até Samaria, atacou Salum, matou-o e tomou o trono para si. A Bíblia narra esses eventos em poucos versículos, sem elogios nem lamentações, registrando apenas a sucessão de nomes e mortes que marcou os últimos anos de Israel como nação independente.

Onde ele aparece

O nome

Salum — recompensa, retribuição (de shalam, 'pagar, retribuir, restituir')

Significado, origem e variantes →
Em palavras simples

Salum foi um rei de Israel que ficou no trono por muito pouco tempo, só um mês. Ele chegou ao poder matando o rei anterior, Zacarias, numa cidade chamada Ibleão. Pouco depois, outro homem, chamado Menaém, fez a mesma coisa com ele: invadiu a capital, Samaria, e o matou para assumir o governo em seu lugar. A história de Salum mostra como o reino de Israel viveu anos de instabilidade política, com reis derrubados à força, pouco antes de ser conquistado pelos assírios.

O mundo dele

Salum aparece na Bíblia em apenas seis versículos (), mas seu breve reinado marca um ponto de virada na história do reino do Norte. Ele é identificado como "filho de Jabes", informação sobre a qual o texto não acrescenta mais nada — ao contrário de vários outros usurpadores de Israel, nada se sabe sobre sua origem tribal ou seu cargo anterior.

O pano de fundo é a dinastia de Jeú, que governava Israel desde o golpe sangrento contra a casa de Acabe (). Deus prometera a Jeú que seus descendentes ocupariam o trono até a quarta geração () — Jeoacaz, Joás e Jeroboão II já haviam reinado, e o quarto na linha, Zacarias, subiu ao trono após o longo e próspero governo de seu pai. Zacarias reinou apenas seis meses antes de Salum conspirar contra ele e matá-lo em Ibleão, encerrando a dinastia exatamente como fora anunciado.

Salum então tomou o trono em Samaria, capital do reino do Norte, por volta de 752 a.C. — data que segue a cronologia proposta por estudiosos como Cogan e Tadmor para o período. Seu reinado, porém, durou só um mês: Menaém, filho de Gadi, subiu de Tirza, antiga capital de Israel, até Samaria, atacou Salum e o matou, tomando o poder para si.

Esse episódio inaugura o que historiadores costumam chamar de período de anarquia em Israel: nas décadas seguintes os reis se sucederam por golpe e contragolpe — Menaém, Pecaías, Peca e, por fim, Oseias — até que o reino caiu diante do Império Assírio, em 722 a.C. (). O profeta Oseias, que atuou justamente nesses anos, descreveu essa instabilidade em termos duros: "todos os seus reis caem; ninguém entre eles clama a mim" (). Salum é o primeiro nome dessa sequência trágica de reis que subiram e caíram pela espada, num reino que já vivia seus últimos e mais turbulentos anos.

A história

O relato sobre Salum é propositalmente seco. O autor de 2 Reis não registra discurso, motivação ou reflexão moral explícita — apenas a fórmula que se repete ao longo do livro para vários reis do Norte: "conspirou contra ele, feriu-o e o matou, e reinou em seu lugar" (). O mesmo padrão fora usado para Baasa contra Nadabe () e para Zinri contra Elá (), e voltaria a se repetir com Peca contra Pecaías () e com Oseias contra Peca (). Comentaristas como Keil e Delitzsch observam que essa repetição estilística não é acidental: o narrador bíblico documenta um padrão histórico de instabilidade crônica com uma objetividade quase clínica, sem precisar declarar o óbvio julgamento moral sobre cada ato.

Um detalhe relevante aparece logo depois do relato do assassinato de Zacarias, em : "Essa foi a palavra do SENHOR, que falara a Jeú, dizendo: Teus filhos até a quarta geração se assentarão sobre o trono de Israel. E assim foi." O texto faz algo delicado: reconhece que a morte violenta de Zacarias cumpriu uma palavra profética específica, a promessa feita a Jeú em , sem com isso justificar moralmente o crime de Salum. A tradição interpretativa cristã, de modo geral, lê esse tipo de passagem à luz do que teólogos chamam de providência concorrente: Deus cumpre seus propósitos declarados por meio de eventos históricos, inclusive ações humanas livres e moralmente culpáveis, sem ser autor do mal cometido nelas. Salum não é apresentado como instrumento consciente de Deus, e muito menos como alguém abençoado por seu ato — ele mesmo é morto pelo mesmo tipo de violência um mês depois.

Vale notar também o que o texto não faz: não atribui a Salum nenhuma acusação específica de idolatria, ao contrário do que a fórmula deuteronomista costuma repetir para outros reis do Norte, do tipo "fez o que era mau aos olhos do SENHOR". O comentarista John Gray observa que a brevidade do reinado simplesmente não deu tempo ao narrador de registrar atos de governo, bons ou maus — Salum existiu, essencialmente, como elo entre duas mortes violentas. Essa ausência de detalhes é, ela mesma, um dado narrativo: mostra como a monarquia do Norte, nessa fase final, havia se reduzido a uma sucessão de nomes sem substância, incapazes de deixar qualquer legado antes de serem derrubados pela força seguinte.

O que costumam dizer errado1
  • Dizem que:Salum, rei de Israel, é a mesma pessoa que Salum, filho do rei Josias, mencionado em Jeremias 22:11.

    São homônimos diferentes. O Salum de governou o reino do Norte (Israel) por um mês, cerca de 150 anos antes; o Salum citado por Jeremias é outro nome do rei Jeoacaz de Judá, filho de Josias (), que reinou por apenas três meses no reino do Sul.

Como diferentes tradições cristãs leem3

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Reformada

    Enfatiza a soberania de Deus mesmo sobre atos humanos violentos: a morte de Zacarias cumpriu a palavra dada a Jeú (), mostrando que Deus governa a história inclusive por meio de escolhas humanas livres e culpáveis, sem ser autor do mal cometido nelas.

  • Católica

    Lê o colapso da dinastia de Jeú e a sucessão de golpes como consequência moral e pedagógica da idolatria instaurada por Jeroboão I, que contaminou todos os reis do Norte; o caos político é apresentado como fruto de uma infidelidade estrutural à aliança.

  • Wesleyana

    Sublinha a responsabilidade moral plena de Salum e de Menaém por suas escolhas violentas: Deus permite o curso dos acontecimentos e usa seu resultado para cumprir uma palavra anunciada, mas não determina nem aprova os crimes cometidos livremente pelos usurpadores.

O que fazer com isso

A história de Salum lembra que poder conquistado pela violência raramente dura. Em um mês ele subiu e caiu, vítima do mesmo método que usara para chegar ao trono. O texto bíblico não moraliza o episódio: apenas relata os fatos com a secura de quem registra uma sucessão de reis instáveis, um contraste silencioso com a insistência das Escrituras em um reino que não precisa de golpes para se manter firme.

Passagens relacionadas7
Fontes consultadas3
  • C. F. Keil e F. Delitzsch. Commentary on the Old Testament: Kings, 1876.
  • Mordechai Cogan e Hayim Tadmor. II Kings: A New Translation (Anchor Bible), 1988.
  • John Gray. I & II Kings: A Commentary (Old Testament Library), 1970.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Quanto tempo Salum reinou sobre Israel?

Apenas um mês, segundo . Ele tomou o trono ao assassinar Zacarias e foi morto por Menaém antes de completar dois meses no poder.

Por que Salum matou o rei Zacarias?

A Bíblia não registra o motivo específico, só que Salum conspirou contra Zacarias e o feriu até a morte em Ibleão (). O episódio é tratado como parte da instabilidade política que já vinha do enfraquecimento da dinastia de Jeú.

Salum, rei de Israel, é o mesmo Salum citado em Jeremias?

Não. São duas pessoas diferentes com o mesmo nome. O Salum de é outro nome do rei Jeoacaz de Judá, filho de Josias, que viveu cerca de 150 anos depois.

O que aconteceu com Salum depois que ele tomou o trono?

Menaém, filho de Gadi, subiu de Tirza até Samaria, atacou Salum e o matou, assumindo o reinado em seu lugar ().

Outros personagens

Publicado em 05/09/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 3 obras citadas, com autor e ano
  • 1 afirmação popular checada e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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