Rute
quem foi rute
Ficha do personagem
Período dos juízes, antes da monarquia
Relações
- sogra Noemi
- marido Boaz
- bisneto Davi
Resposta curta
Rute é moabita, viúva e estrangeira — três condições que, na sociedade descrita pelo livro, a colocavam na margem. E é dela que descende Davi.
A frase de é a mais conhecida do livro: aonde quer que fores irei, e onde quer que pousares pousarei; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Ela é dita a uma sogra sem recursos, sem filhos e sem perspectiva de ter — ou seja, num momento em que a lealdade não oferecia nenhuma vantagem.
Onde ele aparece
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textoliga a linhagem a Davi, e inclui Rute na genealogia de Jesus. Ela é uma das quatro mulheres nomeadas ali, todas com alguma condição que a lista poderia ter omitido.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Rute era moabita, viúva e estrangeira, e escolheu acompanhar a sogra numa situação sem nenhuma vantagem para si. Em Belém, respigou nos campos, encontrou Boaz e foi resgatada por ele conforme a lei do parente resgatador. Dela descende Davi, e a inclui na genealogia de Jesus.
O mundo dele
O livro é curto e construído com cuidado. Uma família de Belém emigra para Moabe por causa da fome. O pai morre, os dois filhos se casam com moabitas e também morrem. Restam três viúvas. Noemi decide voltar e libera as noras; Orfa aceita, Rute recusa.
De volta a Belém, Rute respiga nos campos — direito garantido pela lei ao pobre e ao estrangeiro, conforme . É assim que encontra Boaz, parente de Noemi e, portanto, candidato a resgatador.
O capítulo 3 tem a cena da eira, escrita com ambiguidade deliberada, e o capítulo 4 traz a transação legal à porta da cidade, com testemunhas, em que o parente mais próximo declina e Boaz assume o papel de goel.
O vocabulário de chesed — lealdade que cumpre compromisso — atravessa o livro e é aplicado a Rute por Boaz e a Boaz pelo narrador. É a palavra que organiza a história.
O fecho é genealógico: liga a linhagem a Davi. E a inclui na genealogia de Jesus, uma das quatro mulheres nomeadas ali, todas com alguma condição que a genealogia poderia ter omitido.
A história
Três observações mantêm a leitura precisa.
A primeira é sobre a origem moabita. estabelece restrição à entrada de moabitas na assembleia, e o livro de Rute não a menciona nem a discute. A tensão entre os dois textos é notada há séculos, e as leituras propostas variam: alcance limitado da restrição, contraste deliberado entre lei e narrativa, ou datação e propósito distintos dos dois textos.
A segunda é sobre a cena da eira, em . O texto usa termos que admitem mais de uma leitura, e comentaristas divergem sobre quanto de ambiguidade é intencional. O que o texto afirma diretamente é que Boaz elogia a conduta dela e age para regularizar a situação pelo caminho legal.
A terceira é sobre o que o livro faz com a categoria de estrangeiro. Rute é chamada de moabita repetidamente ao longo do texto, mesmo depois de estabelecida em Belém — o narrador não deixa o leitor esquecer. E a conclusão genealógica coloca essa estrangeira na origem da dinastia.
Vale registrar que o livro ocupa posições diferentes conforme o cânon: entre Juízes e Samuel nas Bíblias cristãs, e entre os Escritos na Bíblia hebraica, onde é lido na festa de Shavuot.
O que costumam dizer errado2
Dizem que:Rute era israelita.
Era moabita, e o narrador a chama assim repetidamente ao longo do livro, mesmo depois de estabelecida em Belém. A repetição é deliberada e é o que dá peso à genealogia final.
Dizem que:A história de Rute é apenas um romance.
O livro é construído sobre instituições legais concretas: o direito de respigar, de , e o resgate pelo parente, de . A transação do capítulo 4 é uma cena jurídica com testemunhas.
Como diferentes tradições cristãs leem2
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Leitura da inclusão
Enfatiza a origem moabita e a inclusão na genealogia davídica, lendo o livro como afirmação sobre o alcance da aliança.
Leitura do chesed
Enfatiza o vocabulário de lealdade que atravessa o texto, aplicado a Rute e a Boaz, e lê o livro como retrato de fidelidade em circunstância adversa.
O que fazer com isso
Note quantas vezes o narrador chama Rute de "a moabita", inclusive depois de ela estar plenamente estabelecida em Belém. A repetição é deliberada, e é ela que dá peso à genealogia do último capítulo.
Passagens relacionadas6
Fontes consultadas2
- Francis Brown, S. R. Driver e Charles A. Briggs. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament, 1906.
- James Strong. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Por que a origem moabita de Rute é relevante?
Porque estabelece restrição à entrada de moabitas na assembleia, e o livro não a menciona. A tensão é notada há séculos, e as leituras propostas variam.
O que Boaz fez exatamente?
Exerceu o papel de goel, o parente resgatador de , adquirindo a propriedade e assumindo o compromisso com Rute. A transação é feita publicamente, à porta da cidade, com testemunhas.
O que é respigar?
Recolher o que sobrava depois da colheita. determinava que não se colhesse a beirada do campo nem se recolhesse o que caísse, deixando isso ao pobre e ao estrangeiro. É o direito que Rute exerce.