O ritual da água amarga era um teste de adultério?
Era. Uma mulher suspeita de adultério, sem testemunha e sem prova, era levada ao sacerdote e bebia água misturada com pó do chão do tabernáculo e a tinta das maldições escritas.
Antigo Testamento · livro 4 de 66
20 passagens difíceis explicadas em Números, espalhadas por 17 capítulos.
Era. Uma mulher suspeita de adultério, sem testemunha e sem prova, era levada ao sacerdote e bebia água misturada com pó do chão do tabernáculo e a tinta das maldições escritas.
Qualquer israelita, homem ou mulher, podia fazer voluntariamente um voto de nazireu por um período determinado — dias, semanas ou meses, à escolha da própria pessoa — assumindo três restrições enquanto durasse: nada de vinho, bebida forte ou qualquer produto da videira, nem mesmo uva ou passa; não cortar o cabelo; e não tocar em cadáver, nem mesmo de parentes próximos.
A bênção sacerdotal — a fórmula que Deus dá aos sacerdotes para abençoar o povo de Israel — termina com uma única palavra hebraica: shalom. A tradução padrão em português é "paz", e não está errada, mas é incompleta de um jeito que a maioria dos leitores nunca percebe.
Pouco tempo depois de saírem do Egito, os israelitas já estavam reclamando de novo. Dessa vez o gatilho partiu do "povo misturado" que havia no meio deles — provavelmente estrangeiros que se juntaram ao êxodo — que teve um desejo intenso por carne. O choro se espalhou pelo acampamento, e todo o povo passou a se lembrar, com saudade, do peixe que comia de graça no Egito, além dos pepinos, melões, alhos-porós, cebolas e alhos.
Depois de meses só com maná, o povo de Israel chorou por carne, dizendo que a comida do Egito valia mais que a liberdade no deserto. Deus atendeu ao pedido: um vento trouxe do mar uma quantidade enorme de codornizes, empilhadas ao redor do acampamento. Durante um dia inteiro, uma noite e mais um dia o povo recolheu aves, e até quem recolheu menos ajuntou uma quantidade descomunal.
Miriã, profetisa e irmã mais velha de Moisés, e Arão, o sumo sacerdote, falam contra o irmão por causa da mulher cuchita que ele havia tomado — provavelmente Zípora, descrita por sua origem, ou uma segunda esposa não mencionada em outro lugar. No hebraico, o verbo "falaram" está no feminino singular, indício de que Miriã puxou a queixa, com Arão a acompanhando. Mas a fala do versículo 2 mostra que o casamento foi só o estopim: os dois questionam se o SENHOR fala exclusivamente por meio de Moisés.
Ao voltarem de espionar Canaã, os doze homens enviados por Moisés contam o que viram: uma terra fértil, mas habitada por povos fortes, entre eles os filhos de Anaque, que o texto chama de gigantes, os nefilins. Diante desses habitantes, os espiões dizem ter se sentido como gafanhotos, tanto aos próprios olhos quanto aos olhos dos moradores da terra.
Este é um caso raro no estudo de números bíblicos: o próprio texto explica sua própria matemática, sem deixar nada para o leitor reconstruir. Doze espiões passaram quarenta dias reconhecendo Canaã; dez deles voltaram com relatório de medo, o povo se rebelou contra a entrada na terra prometida, e o julgamento declarado é direto — "ano por cada dia": quarenta anos de peregrinação no deserto para aquela geração, um ano de espera por cada dia de espionagem.
Corá, um levita, e Datã e Abirão, rubenitas, lideraram duzentos e cinquenta líderes de Israel numa revolta contra Moisés e Arão, alegando que toda a congregação já era santa e que ninguém deveria estar acima dela. Moisés propôs um sinal diante de todos: se aqueles homens morressem de morte comum, ele não fora enviado por Deus; mas se a terra se abrisse e os tragasse vivos, seria juízo divino contra a rebelião.
À primeira vista a pena parece desproporcional: quarenta anos conduzindo o povo, e a terra negada por causa de duas batidas numa pedra.
Desviando de Edom, o povo de Israel enfrenta um trecho longo e cansativo do deserto. "Abateu-se o ânimo do povo", e eles voltaram a reclamar contra Moisés e contra Deus: preferiam ter morrido no Egito a passar fome e sede ali, e desprezaram o maná, chamando-o de "pão tão miserável". Como resposta, o SENHOR enviou entre eles serpentes ardentes, cuja mordida matou muita gente em Israel.
A tensão é evidente: o mesmo Deus que proibiu imagens esculpidas manda fazer uma, e olhar para ela cura. O texto não comenta a aparente contradição.
O texto narra sem hesitação: "o SENHOR abriu a boca da jumenta". E o detalhe mais estranho não é o animal falar — é Balaão responder sem se surpreender, e discutir com ela.
Balaão foi contratado pelo rei Balaque de Moabe para amaldiçoar o povo de Israel, mas Deus só lhe permitiu abençoar. No terceiro dos quatro oráculos, diante da insistência de Balaque, Balaão explica por que a bênção pronunciada sobre Israel não pode ser revogada: ela não saiu da boca de um homem volúvel, mas da boca de Deus.
A profecia da estrela de Jacó vem de uma fonte incomum: não de um dos profetas de Israel, mas de Balaão, adivinho contratado por Balaque, rei de Moabe, especificamente para amaldiçoar o povo de Israel — e que, capítulo após capítulo do livro de Números, só consegue abrir a boca para abençoá-lo.
Uma praga já mata o povo de Israel por causa da idolatria e da imoralidade sexual com moabitas e midianitas em Baal-Peor. No meio disso, um israelita traz abertamente uma midianita para dentro do acampamento, "à vista de Moisés e de toda a congregação". Fineias, neto de Arão, pega uma lança, segue o casal até a tenda, e os trespassa em pleno ato — os dois, com um golpe.
Zelofeade, da tribo de Manassés, morreu no deserto sem ter filho homem — só cinco filhas: Maalá, Noa, Hogla, Milca e Tirza. Em Israel, a terra prometida seria repartida por famílias e, normalmente, herdada pelos filhos. Sem herdeiro homem, o nome de Zelofeade sumiria da lista das famílias e sua porção de terra se perderia. As cinco irmãs foram até a porta da tenda do encontro e apresentaram o caso a Moisés, ao sacerdote Eleazar e a toda a congregação.
Depois da guerra contra Midiã, os soldados voltam com prisioneiras vivas, e Moisés se ira: "Todas as mulheres preservastes?" Ele lembra que foram essas mulheres que, por conselho de Balaão, atraíram Israel ao culto idólatra e à imoralidade em Peor, provocando uma praga que matou milhares. Diante disso, ordena a morte dos meninos e das mulheres que já tiveram relação sexual, poupando com vida as meninas ainda virgens.
Números 32:23 faz parte da negociação entre Moisés e as tribos de Rúben e Gade, que pediram terra a leste do Jordão, fora dos limites originais de Canaã, por causa das boas pastagens para seus rebanhos. Moisés aceita, mas impõe uma condição: os homens dessas tribos deveriam atravessar armados e lutar ao lado das demais até a conquista terminar, e só então voltar para se instalar no território escolhido.
Israel deveria separar seis cidades, três de cada lado do Jordão, para onde pudesse fugir quem matasse alguém "por acidente" — sem intenção, sem premeditação. Enquanto lá dentro, protegido, o homicida escapava do "vingador do sangue", o parente próximo da vítima que tinha, pelo costume do antigo Oriente Próximo, o direito e a expectativa social de vingar a morte com as próprias mãos.