
Por que os anciãos choraram, e não comemoraram, ao ver o novo templo?
por que os idosos choraram na reconstrução do templo em Esdras
Porém muitos dos sacerdotes e dos levitas e dos chefes de famílias, já velhos, que haviam visto a primeira casa, quando viram a fundação desta casa, choravam em alta voz, mas muitos outros davam grandes gritos de alegria; De maneira que o povo não conseguia distinguir as vozes de alegria das vozes de choro do povo; porque o povo gritava com tão grande júbilo, que se podia ouvir o som de muito longe.
Resposta curta
Depois de lançados os fundamentos do novo templo em Jerusalém, sacerdotes, levitas e o povo se reuniram para celebrar com música e louvor, seguindo o padrão estabelecido por Davi. No meio da festa, os mais velhos — sacerdotes, levitas e chefes de família que ainda se lembravam do templo de Salomão, destruído décadas antes — começaram a chorar em alta voz ao comparar a nova fundação com a antiga.
O choro e o grito de alegria se misturaram de tal forma que ninguém conseguia distinguir um som do outro; o barulho conjunto podia ser ouvido a grande distância. O texto não julga qual reação era certa: registra as duas, lado a lado, como resposta legítima de um povo que via, ao mesmo tempo, a fidelidade de Deus na restauração e a perda irreparável do que havia sido destruído.
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textoO templo cuja fundação provoca choro e alegria em é um elo na longa trajetória bíblica do lugar da presença de Deus entre o seu povo — do tabernáculo no deserto ao templo de Salomão, deste ao templo pós-exílico (depois ampliado por Herodes), e finalmente ao próprio corpo de Jesus, que ele identificou como o verdadeiro templo. A ambiguidade da cena — um templo modesto que nunca igualaria por si mesmo a glória antiga — antecipa a promessa de Ageu de uma glória final maior que a primeira (), cumprida não em reformas arquitetônicas posteriores, mas naquele em quem, segundo o Novo Testamento, habita corporalmente toda a plenitude da divindade. O choro dos anciãos reconhece, sem saber, que nenhuma construção humana bastaria; a alegria dos mais jovens aponta, sem saber, para uma restauração ainda por vir.
Respaldo no Novo Testamento:
Contexto histórico
A cena de acontece por volta de 536 a.C., pouco depois do primeiro grupo de exilados judeus retornar da Babilônia sob o decreto do rei persa Ciro (). Liderados por Zorobabel, descendente da linhagem davídica, e pelo sumo sacerdote Jesua, os repatriados haviam reconstruído o altar e retomado os sacrifícios () antes mesmo de lançar os fundamentos do templo propriamente dito. No segundo mês do segundo ano após a volta, os construtores finalmente puseram as fundações da nova casa do SENHOR, e a comunidade organizou uma cerimônia solene: sacerdotes com vestes e trombetas, levitas descendentes de Asafe com címbalos, entoando o refrão tradicional atribuído a Davi, porque ele é bom, porque sua bondade sobre Israel dura para sempre (v. 11; compare .41).
O detalhe decisivo do texto é quem estava entre os que choravam: muitos dos sacerdotes e dos levitas e dos chefes de famílias, já velhos, que haviam visto a primeira casa (v. 12). O templo de Salomão fora destruído pelos babilônios em 586 a.C.; para alguém ter memória pessoal dele em 536 a.C., seria necessário ter pelo menos uns cinquenta anos de idade — um grupo cada vez mais raro entre os exilados que retornavam. Esses anciãos tinham parâmetro de comparação: conheciam a magnificência descrita em , construída com os recursos de um reino próspero e independente. O que agora se erguia era o esforço de uma comunidade pequena, pobre, vivendo sob autorização de um império estrangeiro, dependente de doações e da permissão de Ciro para trazer madeira do Líbano ().
Gramaticalmente, o texto hebraico contrasta duas palavras de som: bekhi, choro alto, e teruah, o grito ritual de alegria também usado para toque de trombeta em ocasiões de guerra e culto. O narrador não separa as duas reações em grupos distintos que se alternam; ele as sobrepõe deliberadamente, dizendo que o povo não conseguia distinguir as vozes de alegria das vozes de choro (v. 13). Essa fusão sonora é o ponto central da cena: alegria e lamento aconteciam ao mesmo tempo, no mesmo evento, pelas mesmas pessoas de gerações diferentes.
Aprofundamento
O texto não explica em detalhe o motivo do choro — apenas liga a reação ao ato de ver a fundação desta casa em comparação com a lembrança da primeira casa (v. 12). A leitura mais natural, seguida por comentaristas como Matthew Henry e Derek Kidner, é que os anciãos mediam com os olhos o que a nova fundação prometia em tamanho e em recursos e reconheciam que seria muito menor e mais modesta que o templo de Salomão. Não era apenas nostalgia estética: para um povo cuja identidade estava ligada à presença de Deus habitando em Jerusalém (), ver os alicerces reduzidos era ver, de forma concreta, o preço que o pecado nacional e o exílio haviam cobrado. O choro, nesse sentido, carrega tanto luto pelo passado quanto lucidez sobre a distância entre a glória perdida e a restauração possível.
Ao mesmo tempo, o texto recusa reduzir a cena a um único sentimento. Muitos outros — provavelmente os mais jovens, sem memória do templo antigo, ou simplesmente pessoas tomadas pela fé na promessa cumprida — davam grandes gritos de alegria. F. Charles Fensham observa que o hebraico usa o mesmo tipo de exclamação, teruah, associado tanto a alarme de guerra quanto a aclamação de louvor: um som que a comunidade reconhecia como legítimo em momentos de virada histórica. O efeito literário do versículo 13, ninguém conseguia distinguir um som do outro, sugere que o narrador não está interessado em separar os corretos dos incorretos; está descrevendo a textura real de um povo que vive, ao mesmo tempo, o fim de uma era de perda e o início frágil de uma restauração.
Essa tensão volta a aparecer poucos anos depois, quando o profeta Ageu se dirige diretamente aos que se lembravam do templo antigo: quem restou entre vós que viu esta casa em sua primeira glória? E como a vedes agora? Não é como nada, comparada com aquela, aos vossos olhos? (). Mas Ageu não deixa a palavra final com a comparação desfavorável — anuncia que a glória desta última casa será maior do que a da primeira (), uma promessa que ultrapassa qualquer reforma arquitetônica. A cena de , lida junto com essa profecia posterior, mostra que o luto legítimo por algo perdido não impede, e às vezes precede, uma restauração que, no fim, superará a antiga. Keil e Delitzsch notam que essa mistura de choro e júbilo tornou-se, na tradição de leitura posterior, referência para descrever a ambiguidade de toda reconstrução depois de uma grande ruptura: nunca é simples celebração nem simples lamento.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:Os anciãos choravam porque estavam arrependidos coletivamente do pecado que causou o exílio, e esse era o motivo do choro.
O texto liga o choro diretamente à comparação visual entre a nova fundação e a lembrança da primeira casa (v. 12), não a uma confissão de pecado. Arrependimento nacional aparece em outros textos do retorno, como e , mas não é o que registra como causa da reação.
Dizem que:O choro era sinal de desagrado de Deus com a reconstrução, um mau presságio para o novo templo.
Nada no texto liga o choro a reprovação divina; a mesma cerimônia inclui explicitamente louvor conforme a ordenança de Davi e um refrão de gratidão pela bondade do SENHOR (v. 10-11). O choro expressa memória e perda humanas, não julgamento sobre a obra que estava sendo iniciada.
Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Católica
Lê a cena como padrão para a memória litúrgica: a Igreja guarda tempos de penitência e tempos de festa lado a lado no mesmo calendário, reconhecendo que a comunidade de fé nunca vive só de luto ou só de celebração, mas das duas coisas em tensão constante.
Reformada
Destaca a soberania de Deus operando através de começos pequenos e imperfeitos: o templo modesto não invalida o propósito divino, e o choro dos anciãos não deve ser lido como falta de fé, mas como reconhecimento honesto de que a obra de restauração ainda estava incompleta.
Pentecostal
Enfatiza o grito de júbilo (teruah) como expressão legítima e até profética de louvor coletivo, um som que a congregação reconhecia como aclamação diante da ação visível de Deus, válido mesmo quando convive com lágrimas alheias no mesmo culto.
Ortodoxa
Aproxima o choro dos anciãos da noção de compunção sagrada (penthos): lamento espiritual que não se opõe à alegria, mas a aprofunda, sendo a mistura dos dois sons um retrato apropriado de como a alma se relaciona com a restauração de algo perdido.
No original2 termos
בְּכִיbekhiH1065
choro alto, pranto — o mesmo tipo de lamento usado para luto por morte ou perda grave.
תְּרוּעָהteru'ahH8643
grito ou toque estridente de alarme ou júbilo, usado tanto em contexto de guerra quanto de louvor litúrgico.
O que fazer com isso
Comunidades que atravessam perdas grandes, de um relacionamento, de uma igreja, de um sonho de família, muitas vezes esperam que todos sintam a mesma coisa ao mesmo tempo: só alegria na retomada, ou só luto pelo que ficou para trás. mostra que isso raramente acontece, e que não precisa acontecer. É possível reconhecer o valor de um recomeço e, ao mesmo tempo, dar espaço para quem ainda chora o que foi perdido, sem exigir que uma reação cancele a outra.
Passagens relacionadas5
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Fontes consultadas4 obras
- Matthew Henry. Commentary on the Whole Bible, 1710.
- Derek Kidner. Ezra and Nehemiah: An Introduction and Commentary (Tyndale Old Testament Commentaries), 1979.
- F. Charles Fensham. The Books of Ezra and Nehemiah (New International Commentary on the Old Testament), 1982.
- C. F. Keil e F. Delitzsch. Commentary on the Old Testament, vol. Ezra-Nehemiah-Esther, 1866.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Por que os mais velhos choravam e os mais jovens comemoravam?
O texto sugere que os mais velhos, que se lembravam do templo de Salomão, mediam a nova fundação por aquele padrão e sentiam a perda. Os mais jovens, sem essa memória de comparação, provavelmente viviam a cerimônia apenas como motivo de alegria pela obra de restauração em andamento.
Esse novo templo era o mesmo que Jesus visitou depois?
Era a mesma estrutura fundamental, embora bastante ampliada e reformada séculos depois por Herodes, o Grande. O templo dedicado em , conhecido como o Segundo Templo, permaneceu o centro do culto judaico até sua destruição pelos romanos em 70 d.C., e foi nesse complexo, já reformado, que Jesus ensinou.
O choro dos anciãos foi uma atitude errada, já que Deus estava agindo?
O texto não condena a reação; apresenta as duas emoções lado a lado, sem hierarquia entre elas. Reconhecer uma perda real e, ao mesmo tempo, confiar num recomeço não são atitudes incompatíveis dentro da narrativa bíblica.
Temas
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