terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Dia 41 de 90 · As parábolas que não fecham
Perdão sem conta
Pedro pergunta até quantas vezes deve perdoar o mesmo irmão, e já propõe um número generoso para o costume da época: sete. Jesus responde com outro número, e os tradutores discutem até hoje se ele quis dizer setenta vezes sete — quatrocentos e noventa — ou setenta e sete.
A conta exata importa menos do que parece. A mesma expressão aparece na tradução grega antiga de Gênesis, na boca de Lameque, que se gaba de uma vingança sem limite: setenta vezes sete é o preço de quem me ferir, diz ele. Jesus pega a fórmula da vingança ilimitada e a devolve virada do avesso, como perdão ilimitado.
Pedro queria um limite — um número depois do qual pudesse, com razão, parar de perdoar. É essa ideia que a resposta dissolve, não o cálculo. Não existe um ponto em que a obrigação de perdoar se esgota e vira permissão para guardar rancor com a consciência limpa.
Oração de hoje
Deus, eu ainda faço conta de quantas vezes já perdoei a mesma pessoa. Se não existe esse limite, me ajuda a soltar a contagem. Não peço esquecer o que me feriu — peço não guardar isso como dívida.
O estudo desta passagem
Perdoar "setenta vezes sete": é literal ou infinito?
Setenta vezes sete são 490 perdões ou é um número infinito?
Ler a explicação completaEstes textos ainda não passaram por revisão teológica. A passagem citada é o texto oficial da tradução, conferido por script.